E.T. Emissário da Terra



SINOPSE:

Um Emissário da Terra (E.T.) chega a um mundo muito lógico. As pessoas do local se comportam de forma maquínica. O engenheiro chefe do lugar tenta mandá-lo embora como se previsse que algo viria a dar errado. O Invasor acaba no hospital. Lá, ele passa a pregar o evangelho. Os habitantes seguem seus ensinamentos e constroem uma igreja. No final, acontece o que o engenheiro chefe, que também é terráqueo, previa: os lógicos cristãos pregam o E.T. na cruz para que ele possa ressuscitar e subir ao céu.


ABORDAGEM DO TEMA:

ET EMISSÁRIO DA TERRA é um filme onde o trabalho no nível da linguagem fará com que a narrativa não se extinga na fábula, mas que através de camadas de significação seja criada uma narrativa múltipla. Num primeiro nível narrativo, a narrativa terá o auxílio de uma voz off, do narrador, permeando os silêncios e criando esta atmosfera perturbadora de um universo paralelo que espelha tanto o nosso passado quanto o nosso futuro. Cada uma dessas vozes é correlativa a um dos tipos de narrativa presentes no filme.
Num segundo nível narrativo, uma narrativa clássica parodia a via crucis, onde todos os elementos e repetições têm por função uma resolução causal e temporal, onde a diferença entre as repetições é regida pela lei da identidade e da não contradição estará na base da fábula da vinda do ET como um salvador.
Num terceiro nível narrativo que podemos chamar de poético, o tempo é suspenso através de imagens poéticas que recriam cenas ora religiosas ora mundanas como citações imagéticas de pinturas tão distantes esteticamente quanto temporalmente como Brugel e Magritte. As citações bíblicas literalizadas pelas imagens irão auxiliar na criação de uma circularidade narrativa na medida em que a imagem retoma as imagens das palavras das escrituras sagradas e as associas com diversos elementos do universo representado. Ao mesmo tempo em que a história narrada pelas imagens se reflete nos textos bíblicos, estes se refletem nela.
O primeiro nível narrativo, o da voz da Fábrica, do narrador, é acrescido da impessoalidade do som que sai dos alto falantes de dentro da fábrica e que acaba por tomar toda a cidade/planeta. Esta voz propõe a repetição à exaustão e depois a repetição da diferença, rompendo com os outros dois níveis de narrativa de linearidade e circularidade.
Ao invés de simplesmente tratar o tema sci-fi com a tradicional estética futurista, E.T. Emissário da Terra produzirá imagens em que as certezas de demarcações temporais futurísticas serão rompidas. Ao apresentar a fábrica, as convencionais representações do universo tecnológico do futuro estarão presentes e, aos poucos, serão desconstruídas.
Como em Tempos de Guerra, de Godard, as locações começarão a ter um aspecto de improviso intencional, inclusive permitindo que vazem imagens urbanas contemporâneas, imprimindo o tom de farsa à fabula, fazendo com que o espectador comece a duvidar de que tempo e espaço trata o filme. Esta indecidibilidade provocará as possibilidades de leitura do filme como presentificação de questões que perpassam o imaginário de nossa civilização ocidental cristã nos dias de hoje.
A atuação dos nativos do planeta lógico deve ter movimentos duros, quase robóticos, e sincrônicos entre si, marcados. O emissário da Terra tem seus movimentos muito mais livres, o corpo relaxado e as feições humanizadas. O engenheiro chefe fica em um meio termo entre os dois.
A fotografia deve ser prateada nas cenas da fábrica, principalmente, porém o curta será filmado em preto e branco. Portanto a iluminação e a escolha dos objetos e suas cores serão fundamentais para uma boa realização estética.
O som deverá ter um tratamento que mescle ruídos de máquinas que geram sons de movimentos repetitivos, ruídos de elevadores para produzir um som de vácuo, movimento estancado em solavancos. Sons que podem ser utilizados na fábrica em primeiro plano sonoro e em segundo plano em outras circunstâncias como na sala do engenheiro chefe. Os sons de elevador podem ser mantidos em outras circunstâncias, como pano de fundo, para acentuar o ritmo maquinico dos alienígenas mesmo na construção da igreja. Porem durante as cenas em que o E.T. manifesta sua mensagem, deverão ser utilizados os sons de canto gregoriano com pontuação de sintetizadores a cada frase, criando dissonâncias eletrônicas que gerem uma desconstrução do sublime e sagrado atingido pela voz humana. Esta quebra da atmosfera espiritual com o som eletrônico dissonante pode ser utilizada também nas cenas das construções do templo quando os alienígenas começam a demonstrar um comportamento estranho. O som deve funcionar como um elemento expressionista do ilme.
Assim como em Alphaville, de Godard, Et - emissário da terra deverá criar um cenário futurístico utilizando-se da mais moderna e impessoal arquitetura que puder ser encontrada na ilha de Florianópolis. Terraços de prédios em construção, casas abandonadas, hangares de aviões, etc.